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À SOMBRA DAS URNAS

15 out

A arandela quebrada

insinua que a tristeza

instala seu mal cinza.

Pela mão que aciona

a tela que traz o vário,

que faz como um raio

espalhar fel como bala

por todo o momento

que átimo antes flor

silvestre em foto era.

Inundados para sempre

sem trégua ou lanche

que as tardes de ontens

supriam em vontades

mais domadas, filhas

do pensamento, Musas,

diferente das de agora,

espumantes chafarizes

de ausência da Ética

e de tudo o mais claro

que se possa respirar.

Mentes sem armistício,

longe da flecha da paz,

olhos do touro no olho

do matador, às urnas vão

destilar algo não cívico,

ao largo da humanidade.

Entremeios, a cidadania

rareada cada postagem,

cada notícia, cada fala,

sofre um abandono pátrio,

ao se descobrir toda nua,

emudecida pelos tempos

que formatam nosso hoje.

11.10.18

 
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DIRETO DE UM DIA COMUM

06 out

No caminho há pausas

para o cavalo alado

que pasta na mente

e nos sonhos. Mesmo

que sejam despojos,

insistem  em perolarem

dentro da perplexidade

do frágil permanecer.

Do roto espanto – a vida

a estocar frutos e sinais

de que à tudo resiste

se há algo que se ame.

Como a cola nas patas

do inseto sobre o chão

que exempla a luta vã

mas necessária ao dia

em que foi de Sol, cães,

pessoas sem olhos,

fúrias  e ancoragens

até o íntimo ocaso,

de bares e colcheias,

(a utopia do entardecer)

a partejar a incerteza

de que ainda estamos

no baile que um sultão,

doido de tantos desejos,

promove à sua roda

e nos intima a dançar.

28.9.18


 
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Com Max Wagner

17 set
13.9.18

13.9.18

 
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14 set

Dois amigos amam a lua.

Outros dois são tão solares.

Mais de um se avermelham

com a face toda no azul.

E enquanto eles diferem

eu me tranco num baú

sentindo que meus anos de vida

pesam e se espalham em mim

mais que as folhas deste outono.

Atravesso cordilheiras

com a mochila abarrotada

de consertos impossíveis.

Na memória como um campo

após a queimada, chamas

teimam em não me permitir

escuridões ou esquecimentos.

Dói-me a constatar

de que meu tempo é sempre.

14.9.18

 
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A TOPADA

03 set

na esquina do semáforo

daltônico e estrábico

topo com Che Guevara:

boina estrelada

olhar reservado ao futuro

cara de El penado 14

tensas rugas no pano negro


vinha pelo peito de um moçoilo

imagino (com maldade)

que o confundira com roqueiro

da velha guarda


Che não sorriu

nem olhou para mim

não leu em meu rosto

a poesia de mitificação

cruzou-me com a indiferença

ao som surdo da concertina

a ecoar estranhamente

por Sierra Maestra


desatinado mantive meu dogma maior:

Pelé es mejor que Maradona


30.7.16

 
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DOIS TEMPOS

02 set

Sofro por uma crase.

A vírgula que tropeça,

o hífen extinto, os esses

repetidos exaustivamente.

Sofro muito pelo medo

de olhos que hão de vir

completar o que escrevi

com o fármaco de sempre.

Só me livro da gastura

ao ver aquela fotografia

da língua de fora do Einstein,

refrigério, amante confesso.

Aí, reparto a vida ao largo

de lembranças mais felizes:

uma história do Chico Bento,

um lançamento do Gérson.

Até o escudo derreter-se

na eterna trilha de escuros,

conviva sem hora marcada,

com a face de permanente.

31.8.18

 
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Palestra Cecília Figueiredo

24 ago
22.8.18

22.8.18

 
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TRISTE

24 ago

É tarde de tanto fardo.

Insisto em correções

em caminhos de vida inteira

entre temores por surpresas.

Encontro cansaço em todo sorriso.

A Era de Aquarius deu chabu.

23.8.18


 
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PARAFRASEANDO VANDRÉ

18 ago

sonhei a vida inteira

buscando encontrar

a paz não passageira

onde eu pudesse me calar

mas não encontrei maneira

do meu destino mudar

17.8.18

 
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A ETERNA PAISAGEM III

07 ago

Olhos eternos sobre cacos

alocados no passado doem.

Uma flor tímida, um vaso

Ching, mas linha com cerol.

Rebocar o ontem frio

com cordas e roldanas frágeis

é a extrema-unção da noite,

o rechaçar do descanso.

Melhor ligar o velho rádio

e ouvir vários candidatos

proporem o melhor dos mundos.

Mentiras podem fazer sorrir.

E resgatar o sono perdido.

6.8.18

 
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