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‘(2005) MUNDHOJE’

passos viscosos

21 nov

resíduos morais

calcorreiam olhos de ratos

no chão de relvas desalentadas

chão de raízes chorosas

frutos pútridos de urnas inconscias

bocas desdentadas

manhãs que se sonhara radiantes alvoram castradas

o sorriso que gela

o coração em ardência

(instante que a dor sela)

ferida aberta que a notícia traz


repisar no que envergonha

vislumbrar somente vasa

excremento ou peçonha


estigma que consome

o viver sem lustre

vontade inexcedível

de não se querer sequer um nome

18.07.2005

 

o trabalho

21 nov

saber

que o sabor

da fome

que o braço

consome

é o que digna

ao homem

aço

a seu nome

03.03.2005

 

as meninas

21 nov

“tem asas o desejo, a noite é um manto”

BOCAGE

na noite, manto

ocultas no canto

ninguém (nada) é santo

entre

tanto

20.10.2003

 

via satélite

21 nov

o papa morre

a mídia corre

o povo de porre

se socorre

08.04.2005

 

espelho

21 nov

A íris refletida impudente:

- Nem Jekill nem Hide/

- Tu és Spencer Tracy!

27.6.2005

 

ao tom zé

21 nov

diz soante

à baiana

o viva à garoa

alardeia a aldeia

que arde e assoa

viva o vivo


víbora passeando entre pernas

da arte que voa

19.08.1995

 

assumpçãopreto

21 nov

que faça a massa

nascer o nego de novo

que faça a massa

não mais fritar o ovo


meio pedra

meio mar

me diga esse povo

quem ouviu ele cantar?


meio pedra

meio mar

qual o coletivo de azar?


meio pedra

meio mar

São Paulo a fabular

16.02.2005

 

orides fontela

21 nov

aviso aos bandeirantes:

quero ela

não quero sua panela


encravada dentro da alma de cimento

e ruídos sociais

exubera o brando no papel


na filosofia – o plantão


no verso – o reduto

debaixo da aristocracia

do viaduto

24.07.2006

 

a retomada

21 nov

na via da ida

a retomada amada

retoma o verso

remonta

a página o prefácio o número da página a letra

a retomada amada

frena o verso

do que nasceu antes

o dantes

o louco desta hora

o inventor dos amanhãs

a retomada amada

respira e deixa respirar

e permite vez em quando (neste tempo)

que eu passe a língua

no dedo

e vire a página

19.1.2001