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‘2005 - EM BUSCA DO VERSO’

22 nov
Em memória de Haroldo de Campos, inventor.          (2005)

Em memória de Haroldo de Campos, inventor. (2005)

 

o homem desta manhã

22 nov

nos olhos fundos
de cada um
no mundo olho
de cada um
que pudera

no orvalho
que insiste
no triste
ovo que gera
mostra o mundo
da palavra mera

o homem atrás
do pano de fundo
no limoso poço
- cratera

olhar profundo
nos olhos tristes
e corcundos
a dor jacta:
a dor da era;

olhar santo
de tanto fundo
que na pele atraca
a funda espera

 

a fome e o panfleto

22 nov

que se leve avante o levante ante
essa coisa de fome de quem não come
que quem não consome e se consome e some
ou não fica no mundo ou fica vagabundo
ou se desfaz e não faz
pois não se consegue que um tolo negue
a importância e a ânsia da bravata do lula de gravata
que a sociedade acha que ata
que o rico atarracha
e usa o riso usa o siso
usa a imprensa e prensa
a todos que querem que o levante
não se esfomeie irrelevante
qual estrela cadente falar nisso cadê o dente?
.

 

quem tem medo do homem nu?

22 nov

para Herzog

a foto do fato do homem tratado no porão como rato
na pele pela dita ditadura
que forja suicida e dor sem atadura

cala o gesto
a pena
a fala
leva à vala
tritura

ama da dor intátil à torpe tortura
mas amador lider a delir o delírio ufano
tripudia a (s)chibata do insano

o nó do peito:
regar o fedor
da dor
do nada feito
ao feitor
.

 

revivescente

22 nov

remoer a ferida
retirar a tala
é o que atenua
o viver em vão

na vida sentida
se o sofrer cala
a poesia crua
arranca um não

no alto da vida
(onde a dor se instala)
o clarão da lua
banha meu coração
.

 

a briga

22 nov

A BRIGA

 

carcará

22 nov

o canto do João
do Vale
vale tanto
que o tanto
é pouco
e um pouco
santo

 

o gato

22 nov

pende o tronco
tende ao pulo
no colo
no solo
no alpendre
e depara com o olhar
de quem compreende
que a força das vidas
está em quem preda
e não se arrepende

 

robertoerasmo

22 nov

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encanto

22 nov

lua

olhar

rua

luar

arder

nua

luaridade