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‘POEMAS DIVERSOS’

RECEITINHA

19 out
ao fazer poesia
livre-se de tudo
e do resto também

somente a palavra dada presente
e nada mais

no momento da poesia
evite o mundo
e o que está fora do mundo

não diga nem
e nem amém

a poesia antes de tudo
é liberdade plena
e toda sua

antes de se incorporar ao Tudo

17.10.16

 

PORTAIS

18 out
a queda de Lúcifer
deu olhos universais
ao Milton

a poesia de Milton
deu pernas sensoriais
ao Blake

nesse corolário mágico
eternizaram
a palavra eternidade

10.10.16

 

OUTONAL

13 out


a música silencia a dor
o verso emudece a humanidade
a flor é instante mesmo sem cheiro
o prazer é uma garrafa de água mineral

nua a alma
não aceita contradanças

(início -  fim
ou alguma coisa entre?)


9.10.16

 

13 out
as palavras vêm em retalhos
salvar o domingo

caem sobre meu rosto
como chuva

um pequeno poema
escorre sobre meu corpo

e tatua em sangue
a folha de papel

despudorada e faminta

9.10.16

 

MADREDEUS

09 set
Morri quando a voz de Tereza
Salgueiro em conluio com a Beleza
mostrou-me minha inocência.
Havia um silêncio absurdo
em todo o mundo. Abracei
duas lágrimas bem vivas.

Como um novo parto,
Portugal pousou suas águas
em mim como um corte.
Ressucitei-me de um barco
que não singrava mares. Apenas
flutuava sobre o Espírito da Terra.

8.9.16

 

ATUAL

04 set
de um lado
um
doutro lado
outro
o do meio
leva o reio
e grita fora Sartre!
26.8.16

 

INSANA GAZA

24 jul

cada lado em o que finge trégua
cada vida tem o que tange entrega

na parede antissanidade
os tempos asseguram
no homem de sempre
–  o da escuridão
a lança da morte do poder e do desejo
a involutiva força sem memória
o leito seco do rio da vida
que se esgarça ao beijo do míssil
que se revela ao desnecessário
que se esfarinha ao poder de Deus
ue se marina como peixe
mesmo se dentro da escola
ou segurando bonecas

cada lado sua loucura cada canto sua alegria
cada cego que torna
inválido
o cérebro da humanidade
 

CANÇÃO DE EXÍLIO

24 jul
minha terra exilou-se do South América
num dia de muita conversa católica
e ficou na dela com catrevage demais

agora tem rei para todos os gostos
domingos fantásticos
programa eleitoral altissonante
helicópteros que voam em dólares
e dores amargas e 7 a 1

minha terra tem remendos mil
regime presidencialista de sonhos
parlamentaristas e quem ganha
faz posse de monarquistas
e a poesia por não vender – fuzila-se

a censura são detalhes de nós dois
e o grande barato é viver de ongs

o esporte é deixar tudo de lado
não pensar e distrair rindo de si mesmo

minha terra esconde minha terra
então vou-me esconder de minha terra

vou pra maracangalha
sem chapéu de palha
pois quero pelo menos o sol
no meu cocuruto plebeu

e como disse minha terra
lá pelos tratos de madrid
adiós muchachos
que o meu sabiá
quando sente saudade
canta em árvore errada

 

A LUTA IMAGINADA

24 jul

uma guarânia pinça
jeitos de lutas de ontem
feitos deixados
morgados
em sabor de abandono
sono e cartapácio imóvel
como estante do tempo
como gestante de entes
como negligentes crivos
motivos infremes de mas
mascarados de vontade
descerrados de fazeduras
a luta que não houve
passou mas rastros
incidiram sobre atritos
detritos de covardia
no dia em que a noite
escorreu

volto a um grito latino
deixado para trás
volto sem campo
nem brigas de ferozes
como pensamento
ribalta para a poesia

 

SANTÍSSIMA TRINDADE

24 jul

Manuel – a inspiração

Carlos – a reflexão

João – a construção


e o verso sorri pelos cantos e tempos