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‘POEMAS DIVERSOS’

SANTÍSSIMA TRINDADE

24 jul

Manuel – a inspiração

Carlos – a reflexão

João – a construção


e o verso sorri pelos cantos e tempos

 

PARODIAZINHA PRO HAROLDO

24 jul


fingo

manhã e domingo

bate o si(g)no

aqui me mínguo

 

IL PRIMO

24 jul

Ao Drummond

Antes de tudo,
um sorriso de criança.
Antes de qualquer verso que nasça do quadro na parede.
Antes da festa de interior que vire universal.
Antes de ganhar na loteria, campeonato encruado,
saída do poema cá dentro, pular a fogueira da aporia, e o tudo.
Então, antes do tudo,
o sorriso de uma criança, nasça onde nasça.

Antes de tudo,
o sorriso.
Antes do Modigliani, da Parker 51,
do posto de capitão, gritar “toqueiro-primeiro!”
Enfim,  nada que preceda o sorriso desdentado
e sedento de ambrosia de uma criança.

É isso, antes de tudo,
do Gênesis, do Big Bang e dos dinossauros,
bem antes da fé, o sorriso.
Da criança que, um dia, já foi o mundo.

 

ARTE SUPRA

24 jul

Medito, depois de ouvir com paixão,
sobre “Maria, Maria”.

Do Milton e do Fernando.
Nascimento e Brandt.

Existem coisas e gente
(de tão grandes)
que não sei como cabem no mundo.

 

RIMA SEM SEDUÇÃO

24 jul

todo dia na mídia
um novo episódio
pela textura do ódio
muda-se o pódio

 

LABIRINTO

24 jul

Perdi o silêncio
da vida.

Um sopro
marítimo e desavisado
me atordoa,

como
o sustentar de pequeno míssil.

Adensa dentro de mim,
contínua e ortodoxamente,
um canto de febre.

 

HAICAI

24 jul

o sol se esconde

entre nuvens caminhantes

vez ou outra, brilha

 

REBELDIA

24 jul

A minh’alma,
dona de seu nariz,
já me deixou claro: “não podes comigo”

Mas prometeu momentos
em que eu possa orgulhar-me dela.

Enquanto espero,
sinto-me como os dois Taviani(s)
tentanto domar Gian Maria Volonté.

(Engraçado é que eu pensei neste poema
como um libelo contra a delinquência metafísica.
Acabou-se em viagem.
Entre continentes e metáforas inoportunas;
no final, tem até um sorriso meio alquímico).

 

POEMA ORAL

24 jul
nunca pensei (planejei ou matei)
que um dia
aquela vida sumiria
como sumiu
a venda que um dia
ou num dia a Venda vendia
como o coreto que na praça
a praça nascia
está lá sem vida
ou com vida vazia
como a calçada do filete de água que ardia
ao sol que nada daquilo hoje mais irradia
a rua em que brincávamos
a lua
para nós pertencia

hoje sem coreto sem calçada
não há vida
que na Venda vendia
apenas uma saudade de hipocrisia
enlutada de mania

apenas uma vida que não mais se anuncia

 

13.5.16

14 mai
ontem
nas feridas da tarde
um besouro
negro de tanto adjetivo
parou de voar

caiu de barriga
e ficou esperneando em espasmos orgásticos

acho que desistiu do Brasil
duma vez

(pelo menos meu olhar traduziu assim)