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‘2016 - ALEGORIA’

25.4.16

29 abr

ALEGORIA 16

há uma infinitude de mumunha
no intercorrer nas veias deste país

pedras:
Sísifo nos braços de nosso futuro
(nas serras da chácara do imperador,
o autocídio nazigetulista)

biófago destino que vive parindo
em golfadas sete cabeças

sete vezes sem fim

 

15.4.16

23 abr

ZAPEANDO

vendem-se sobras de fome do mundo inacreditado
os interessados podem adquirir diretamente
das barrigas da miséria do continente primevo
ou os governos corruptos bilionários e tronados
que também estão aptos a vender os cegos
de justiça de toda a parte do mundo – ignorantes
do trabalho escravo do século vinte e um
preocupados em empestar o pensamento
e as cores do mundo dando vivas diárias ao cinza

enquanto isso na Globo dentes sertanejos reluzem
ao sorriso da apresentadora que rebola e castra o ar ao vivo

em Brasília sins e nãos alternam sons de zape

e o pesadelo gol da Alemanha apalerma o orgulho
de quem sempre teve pouco muito pouco, pingos
 

31.10.15

13 jan


lembrança de baile – dói?
torna-se o por quê?

dói a lua
que não chegou na sétima casa

vasos plantados em mim
(milhares)
percorrem bueiros –
esta inquietude fora de lugar

e dois versos em busca do poema nesta manhã:
refugiados ante  olhos  da  humanidade
afrontam o uso da palavra humanidade

&

poetas de casulos
cantam passarinhos na janela
manhãs límpidas e fecundas
ou seja:
farsas dos próprios sentidos

(seres humanos na praia
arrastam o decadente lirismo
dos seres humanos da praia)

divido esta babel íntima
com um gole de conhaque

 

26.10.15

13 jan

Perceber na senda entre a terra e o silfo
(vácuos de abscissas) coisas como planos
de consciências plenas do ver/pensar ou não.

Deixar a cota de sonho pensamento/conheci-
mento  do que dispõe o caminho tortuoso
- a máquina do mundo seja no poema, seja

nas estradas pensas, seja na terza encadenada
sejam nas benesses ofertadas e não colhidas
ou colhidas no quando  de caos e antitênares.

Abre-se e expõe à súditos de barros, entranhas
nunca dantes manifestas como flor ou livro aberto.
Na proa pretensa de voo na glória ou no Restelo

projetando um útero de esplendor renascentista
mas que nas Minas fica acabrunhada como o poeta
também casmurro  de olhos ao chão, aos passos.

Veda o mistério da constatação de não mais caravelas,
de pequenez e prostração e lhe pede o fechamento
e retorno a Vênus da outrora magnífica loa aos mares.

Agora do infinito Sol de fios e integrados como teias
perfaz o Universo imenso e o grão Terra um ponto dentro
de um monitor que se abre a novos olhos introjetados.

 

17.9.15

07 jan

há  caminhos  para outros séculos
vias outras  de esparsas pinceladas
aflitivas sedas  outros ópios e anéis
cabeças e fantasmas clamadores
enviesados nas  trilhas de loucuras
carnais e epilépticas na Casa Amarela
ou nos bares de beijos suicidas
das ruas de Greenwich Village

há um poema de Kaváfis
uma cena de Marat/Sade
cordas afinadas e Baden
um cartão de $10 de Basquiat

há porta (sem chave)  cada saída
quando a arte esfumaça a vida
quando não se quer pobre a vida

caminhos há
se quer
se procura
seja onde
sejam outros séculos
seja interior
(se não estiver gasto)

a viagem se traduz como infinita
a busca se posta como fome
a fuga nos remete à escolha
mais que viagem busca fuga
mais que escudo
a arte é mais que tudo

(porém há cérebros inanes
sem quaisquer viços
sem percepção da falta desta poeira)

 

3.9.15

07 jan

DYSTEMPORAL

morcegos rasam sobre espiralados ventos
ao lado de folhas que nascem de violinos & cellos
manietados por humanos bebedores de sangue
artificial –  notas extraídas em parcimônia
com o oboé refrescante mas de sons escuros
na frígida noite onde se ouve anthony cheung

o papel eletrônico custa a entender e a estender
palavras que não deveriam estar posto que bocas
escurecem a desejada luminosidade que o espírito
casto pede que se empreenda uma noite prenhe
de música/ silêncio > que se fechem  todos dicionários >
que se amortalhem quaisquer ruídos fora da surdez
que a primeira sensação provocada imantou

 

5.8.15

07 jan

a água finda

o elemento                       excrementos

de suicídios                       de avisos

sobejos

solfejos

da cantoria que se dizia

onde

quando

não acredito                     traz o começo

do fim


se depara com a erosão do sarro

antoniete-se: não tem água?

tome ginger ale


tudo sério fica como os óculos e o bigode

do poema do Carlos


não brinquemos             não à alegria

fora odes!                          que venha

o que tiver que vir

e cesse jogar culpa como confete


olhai o rabo, o próprio

 

26.5.15

07 jan

Há poetas que só escrevem para sua turma de bar.
Bebem bastante , vomitam prédicas.
Craques de palestras: odeiam lágrimas.
Poesia feita com uma cartilha
que não se vende nas feiras livres
pela razão simples de não ser livre
dos seus antepassados de trincheiras
das suas vanguardas em luta contra o mofo.
Inglórias pelejas.
Para mim são versos de garupa
agarradinhos como namorados na lambreta.
Versos caudatos também nomina.
Haja medo de não parecer gênio neste século chafariz.
Meu cutucão será em forma de rima (bem pobre)
para a qual (eles) também escabujam  o nariz.

 

11.4.15

07 jan

Vontade de ficar invisível daqui para diante.
Aparecer ao mundo como uma folha de papel
com uns rabiscos e versos saltitantes.
Apenas a poesia à luz.
Eu, sombra e paletó velho no guarda-roupas.
Tranquilo com sobressaltos esparsos,
quando há um abrir de porta
para que se guarde algo em meus bolsos.

Um diabo no pé da minha orelha fica me dizendo
que vou precisar de naftalina
e estraga meu sonho outonal.
Preciso aprimorar minhas metáforas.

 

28.3.15

06 jan

a crônica social ocupa os pátios da arte
(quem escreve morre de fome – ouro
aos fotógrafos)
sorrisos e vinho branco versejam acesos
crachás dourados (outra vez?) desconhecem Bocage
mas compõem sonetos em meio ao conforto

sincero de não-percepção do como fazer
assim atrevido como nasci – tasco
poundianamente my rasting:

POETA é quem tem respeito ao que faz – lê poesia
POETA DA AUTO ILUSÃO é quem não sabe o que faz – não lê poesia
POETA MOUCO é quem sabe que não sabe mas faz algo que não é
mas quer porque quer que seja – diz que lê mas não há evidências
POETA DO EGO INFLADO tem respeito ao que faz – lê poesia
mas não tem respeito
pelo que os outros fazem

falta tinta à pena
falta ter pena
falta a voz que condena

só não faltam
faltas