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‘(2016) ALEGORIA’

27.3.15

06 jan

canto sereno que iço de uma prateleira da loja de armas
e pesca e umas ferramentas menos mortais uns dedais
canto viajado kms de sentimentos e bloqueios (tentados
e inúteis) surgem na esperança de fruição ó deuses espero
canto engendrado em artigos das seleções & daniel dafoe
desordem em visão calafetada destes ágoras censores
inimigos fálicos da poesia de alteamento dos ressurgidos
na vã e inócua tentativa de imaginar o que já foi calçada

pés descalços rádio direito trincado e a Giulia Gentil
facilitada pela mão esquerda em clave de sol a sinistra
enfim a vida cheia de Rubinho enrico bira e Wladimir
como uma grande tela cortina abrindo ao moendo café
canto e diretos ponto de luz da memória que acende
quando se toma por tino um alerta aos poucos desvanecendo
e se apresentando como um poema acabado um filho um neto
daí embora assombro vem e justifica o sereno do primeiro verso

canto de canto
canto de soslaio
agasalho d´alma
versos relicários

enquanto a igreja e as tias desarmavam nossa liberdade, lobato
passava batido com Darwin na história do mundo para crianças

meninos sempre:
“vede a luz!”

 

26.3.15

06 jan

toca fundo essa aspereza
tornado circundando nossos pés
dia que aparece nunca nascer
e a noite longeva de suíças negras
ditando regras sobre o que nubla
a face do que os olhos absorvem
fere esvazia vapores de alento
banhos de assento nádegas no cimento
melhor muito melhor rimas que soluções
quando tudo toca fundo essa aspereza
quando tudo toca fundo
a palavra muda sua face
nas estiagens de sedes tantas

 

26.3.15

06 jan


sombras sobre o corpo sobre a alma
tentativas encapotadas – nada mais ser
que submetido (sepultado)
na supremacia dos crachás
que grassam nesta cidade com donos

corredores cinzas geram obuses
diante de quem almeje andar
mais que isso soar sua cantoria,
surtar de poesia, ardência lírica
a evolar-se entre casarões mal cheirosos

um cansaço sobre os nossos olhos
fecham cortinas a sóis interiores

 

22.3.15

06 jan


a passarela dos pobres é longa
uma cobra se diz procurando imagem
carros passam adentram pela sua cloaca
sem compromisso de horas e licenças
e um piano e a tarde trazem a fotografia

(repito vezes sozinho o verso da tortura sem vingança
ao desejado ouvidor que já morreu faz quatro anos)

o mundo perdeu todos os cheiros reais:
sobraram narrativas sobre avião nos alpes
cápsula de 150 quebra a monotonia da neve

penas fingidas nas notas pretas do piano findam contudo
comer sobras em horas de sino sem sino mais

um poema nasce no aipede e rasga a noite marca barbante

 

29.1.15

06 jan

travessia atônita essa sobre o vácuo da ilha de vera cruz

desprende o ar (afunila) em torno do torpor de um verso heróico

de acentos marcados como 7 de setembro

toda gente (bem luso bem w.hugo mãe) sai

pelas ruas em protesto não só um  mais de um

mais de dois difusos motivos razões fatos

nos tempos do urubu-blixeiro o vice-rei vendia

títulos a toda a gente tomava casa no braço

enquanto a mãe (do rei) gritava nas alcovas

sem que deus ouvisse um navio de pau-brasil versus um espelhinho

tudo começou ali atrás – no tédio da calmaria

a não ser se há documento qualquer de que antes

um índio tenha corrompido outro por um chão de inhames

mas isso, só com provas,

por favor