RSS
 

‘- Série CAMINHO SUAVE’

12 mar
a menina nina
com a vovó à mesa
brincava de língua portuguesa
como passatempo
para passar o tempo

“tirou o p da prima
olha  a rima

o x do externo
ficou eterno

a xícara sem xi
mostrou a cara

como horrorosa
se tem uma rosa?

um hífem entrão
misturou comidas
e deu fruta-pão

escrever tem das suas
se fim da linha se separa
chá-
cara
é uma ou  são duas?

e é mentira a vovô dizer
que maturidade
não tem idade

e ela me contou
que a esperança pôs
um belo ovo
dentro do Ano-Novo

mas o mais bonito
para os olhos meus
foi quando eu vi o eu
dentro de Deus”

18.1.17

 

25 fev
fiz um poeminha
e rimei dor e flor
mostrei para vovó
que disse “hum!
nina menina
isso é lugar-comum”

aí fiz outro
que escrevi
pus a vovó na panela
e joguei pela janela

tenho certeza
que se ela descobre
lá vem “nina nina
isso é rima pobre
eu falo isso
pra você fazer direito”

adoro a vovó
mas ela não tem jeito
aposentar aposentou
mas dentro dela
a professora ficou
20.2.17
 

25 fev
a menina nina
disse que a vovó
contou a ela
e que não é balela:

“que um poeta português
era um grande fingidor
que a dor que sentia
conseguia fingir que era
uma outra dor
e porisso
ficou sendo chamado
de O Outrador
aí ele se chamava Fernando
e ficava só outrando
outrou como Álvaro
como Alberto e Bernardo
acho que uns cinco ou seis
pois a vovó inda falou
de um tal Ricardo Reis

a vovó me ensina
muita coisa boa
mas neste mundo
tem cada pessoa
Aff!”
19.2.17
 

21 fev
Olha só o macaco,
que esperto!
Entrou dentro do saco
e da banana
ficou perto!
 

18 fev
a palavra perguntou
para o poema
o que ele queria
o poema respondeu
que queria poesia
a palavra respondeu
ao poema que poesia
só para o nascer do dia
o poema lamentou:
o que fazer então
com essa madrugada
chuvosa triste e fria
a palavra perguntou
se o poema não sabia
que há tempo para tudo
quando se trata de poesia
o tempo de plantar cuidar
trabalhar o que a alma fia
depois sim ver de perto
nascer aquilo que sacia
aí o poema entendeu
que é preciso ser paciente
pra brotar esta semente
que se chama poesia

15.2.17