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TOM DA DOR

21 nov

Sofro por sufocar sentimentos ocultos,
mundanos, pequenos choros
com objetivos indefinidos, transitórios,
cujos danos pontificam um mal estar
inoportuno, doentio, tudo por representar;
(infinitas personas)
Sofro pela angústia de não ser e ser
ou de viver com a alma emprestada,
diversa, de sangrias; se quero cantar,
vejo cantores, se desejo um poema,
limito-me a escutar poetas perdidos.
Quando me visto em traje que tem que ser
do não ser, do viver sem viver.
Tudo isso que escrevo apenas serve para identificar
covardia, circunstancial, mas covardia.
Tudo isso que escrevo não serve para nada
e medito a cada instante sem necessidade de registro.
Tudo isso que escrevo tentarei reescrever mais tarde
quando contar todas as histórias.
Tudo isso que escrevo não qualifica o temperamento
de quem não sou e essa merda de verbo.
Tudo isso que escrevo não me dá o tom da dor.
Apenas me deixa chateado.

27.11.1994

 

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