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O CHICO

11 fev

Vinha descendo pela rua mais movimentada.

Menino ainda, descobrindo mistérios.

Vinha e descia e passou defronte da loja mais sonora.

Loja com nome de personagem de Alencar.

Ouviu quatro, três ou duas vozes?

Nem sequer pensou nisso.

O que o aturdia eram palavras, Pedro pedreiro penseiro que esperava. Assustou-se. Pode-se fazer isso? Era tão forte que aceitou emocionado a música como invasão. Pode-se fazer isso?

Entrou na loja. A moça e um sorriso triste explicaram que era o último disco, que outra moça e outro sorriso (de vitória, quase escárnio) já segurava uma cédula novinha, sem dobras, de cem.

Mas a moça do balcão tentou um consolo com outro disco, do próprio compositor.

Comprou como um desafio e correu com o coração para casa.

Colocou na vitrola (aquela do braço automático, de se colocar discos em pilhas) e ouviu Ole, Olá, que o picou.

Tentou administrar a respiração, mas chorou escondido.

E nunca mais foi senão poeta.

11.2.2015

 
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Adicionado em PROSA

 

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