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O VERSO

04 jan
“Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiarem na noite, as palavras.”
DRUMMOND
Plantas ao pé da tristeza indócil,
o desequilíbrio entre a face e a outra,
o indício.

Jogas ao precipício as flores do susto
que a vida remete ao que ainda vem,
em surto.

A pele que rasga, no papel, o coração,
mais que processo, adaga e folia,
comoção.

Um beijo de mote. Um soluço léxico.
Um verso na noite, que pulsa, rebate
lítico.

Plantas, mas não colho dentro da hora vernal,
posto ser indelével,  Segunda Vinda,
vergel.

Faço desta palavra pingos de chuva,
na busca zelosa e infatigável
da chave.
 

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