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CONSTANTE RECOMEÇO

05 jan
“como a imagem da faca
que só tivesse lâmina”
JOÃO CABRAL DE MELO NETO
O susto revigora, atenua
o tédio, mesmo que não tenha
escuro ou outrora.

Começo que vive
é recomeço que não avisa,
traz fogo ao agora.

O susto aprimora
o espanto, faz-se
instante que deflora.

Porque se não se espanta
frente ao novo que se apresenta
a vida fica presente, apenas

o futuro rápido não aponta
e desaponta o fato morto
de ficar sempre ao já visto

por todo o tempo que previsto
por todo rumo que absorto
por todo fato sem registro.

O susto provoca o nascer
da hora que recomeça.
Momento desta pororoca,

é como se refizesse certa peça
do objeto vida vazia,
dor que se troca

com susto chamado espanto
que parte em vários raios o dia
brilhando boa nova – um canto.

Vida farta anuncia
desde a palavra que lava o pranto
até a fogueira chamada poesia.

Espanto no átimo
de recomeço saltimbanco,
pneuma bastante

fugaz e inquietante
tende pouco e a tanto
o recomeço constante.
 

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