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AMOR OBSTRUTIVO

04 jul

Naquela casa tinha um ferrolho na porta.
Trancado por chaves imensas.
Jogadas no pântano de um amor obstrutivo.
Mas ao lado, esquecida pelos anos e senhorio,
tinha também uma janela aberta.
E por ela, um dia, entrou um poema.
Esvoaçando pelos quintais
com tal indissolubilidade
que os corredores ofereceram-lhe logo
o próprio âmago da casa.
(naquela casa tinha também uma estante com livros)
E o ferrolho, meândrico,
não teve outro caminho senão acabrunhar-se
à serviço do cinismo.
Naquela casa,
aprendemos a ser eternamente moleques
a equilibrar em peitoris,
transcedendo palavras e sonhos.
Sempre burlando a nossa existência.

27/11/2003


 

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