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MOSCAS E RESMUNGO

04 jul

Quando menino

tinha olhos de radar.

Olhar de redor,

olhos de não dormir.


Quando menino

era a espreita de ossos,

e sem que tivesse,

um telefone a tocar.


Quando menino

a espera sem sal,

música a bailar

sem passos de cem

do tango universal.


Quando menino

moscas e resmungo,

muro de pedra

sem escada. Trêmula

escada e fungo.


Quando menino

o que se era não era

para ter antes.

(quem se lembra

quer sorrir,

quer festejos de nozes

quando o depois tem

algo como rio

que segue adiante)


Quando menino

a lesma após a chuva

era a irmã;

o amor doía

e a chuva eu queria

toda manhã.


Quando menino

muito cheio de vida

humana, portanto

cheio de cheiros

e rimas; portanto

credos e bueiros.


Quando menino

pior que a morte

o olhar penitente,

a face, a cruz.

Esmoía de frente

com visão de goleiro

as frestas de luz.


08/02/2009

 

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