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LEITURA

03 jul


Deparo com a palavra desconhecida.

Tento intuir o que seja, o que me diz.

Apelo ao contexto da frase, do parágrafo,

da história,, do que já percorri, do copo

sempre cheio do autor. Nada.

Despudorada, rainha e fatal,

Desafia-me e chama de tolo.

Vou ao dicionário.

Lá está ela. Soberba,

já sem o mistério de antes,

mas com o mesmo sorriso de anjo

e meretriz que adivinho que desde

a escolhida. Se pudesse falaria a ela.

que a sonoridade que retumba

é maior que o seu reles significado.

Talvez a desabasse deste brilho

que atordoou minha vida

de leitor atento, pobre buscador

de vocábulos que me sejam

a combustão dos meus dias.

Não sigo mais a leitura.

Cai  sobre mim um engano de vida toda.
Uma incógnita avassala o pensamento:
ao ler, não sou o dono do meu olhar;
as palavras, frases, linhas e a solidão
do autor diante de mim é que  me leem.
No instante de leitura são meus olhos,
porta de entrada de meu ser, que,
com amável e guerrilheira aventura,
tomam-me posse. Sem licença ou pressa.

27.6.17



 

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