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CENAS & CAOS

15 out
Tenho um roseiral cheiroso
na minha cabeça.
Meu coração confuso
traça ritmos desgovernados
e o roseiral, pobre de ação,
sucumbe ao tremor da tarde;

eterna a luta dos pássaros
que em mim comem sobras
e só voam quando o inverno
vem aonde pouco se espera.

Tenho um roseiral tenebroso
quando fujo das esquinas.
Meu coração só desperta
se trago versos lacônicos
e o roseiral, rico de fel,
ressurge ao lamber dos lábios;

eterno o passar de intenções
que em mim brotam armadilhas
que nunca voam no estio
nem nas madrugadas úmidas.


tenho um roseiral acintoso
quando bato em retirada.
Meu coração cansa sempre
antes que eu diga a palavra
guardada desde a primeira
máscara que nem lembro mais;

terna a ambição de viver
que em mim perdura
que nunca saiu de dentro
da sombra de outra sombra.

Tenho um roseiral cheio
de rosas vermelhas
mas não colho nunca
e o tempo se encarrega
de trazer o mofo pelo vento.
 
 

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