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27.4.18

30 abr

Do que escrevo (que é um nada)

nem  me sirvo nem me arranjo.

O que escrevi (que parece muito)

repassa e repensa meus dias.

Fosse a vida busca de riqueza

meus versos não existiriam

mas pelo acordo com o destino

fiz-me perdido em meus dias.

A cada palavra um túnel à cela

onde nem entrei nem saí de todo.

Quem o  usou foi o ar de respiro

que plantou a fuga de meus dias.

Meus versos hoje olham para trás

numa clara rebeldia ao tempo.

Defenestram o paladar ao moderno.

Mas a vida grita avante aos meus dias

até que neste outono descortinado

(da luta contra a teia) que congela,

aponte um fim ao propósito de arte

como peso de papel em meus dias.

Faço como os velhos que jogam

sobre a mesa perto de seus cais

toda a vida em pedras de dominó

e encaixam números em meus dias.

Foge-me a pena ao pé da rima.

Foge e acena antes de expor-me

ao deserto branco ontem cantado

como último adorno em meus dias.

Escreverei ainda uma canção de dor

onde celebrarei vocábulos difusos

como o país que tomo assento

no arrastar de chinelos destes dias.

 
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Adicionado em - POEMAS

 

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