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5.5.18

09 mai

No mercado a inferno aberto, vendem-se de tudo: grandes lotes de ódio, anunciados como suculentos e frescos, cachos de nãos radicais e sangrentos, opiniões doridas em pó ou drágeas, além dos artigos de luxo, como os pudores (em caríssima embalagem, cheirando a Chanel 5 falsificado), pilhas de cala a boca em pontas de gôndolas adornadas de festa da época. A sensatez só se compra a ouro, e está em falta. Concursos pululam, mas poucas pessoas ganham prêmios, que se acumulam em velhos baús de veracidade duvidosa, como aquele que paga muito bem a quem responder a chamada charada da noite eterna: o que o homem fez do homem ou com o homem. Por benevolência, aceita-se ambas.

 
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