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DUELO

11 jun

O medo se esteira.

Aninha-se no cóccix

e entranhas de tudo

que respira e abre olhos.

O medo se acasala

e despeja mais proles

a cada movimento

que a Terra meneia;

o medo imantado

no ror de cabeças,

as chuvas tisnadas

de lâminas afiadas.

O medo desencanta.

Sem acordes e escalas

abafa sons e silêncios

nas fendas e trapézios.

O medo vem do parto,

dos leites maternais,

escolas, dos afagos

proibidos ao corpo.

O medo é a equação

destes tempos novos:

mais a vida se alonga

menos temores findam.

O medo não está no ar,

não mora no Universo

nem debaixo das pontes.

Está em tudo que somos.

O medo é introduzido

como um ácido coletivo,

com bad trip, cobras

e cruzes que alucinam.

O medo sobrevive à morte.

E conhece seus punhais.

Por isso a soberba inata,

a baba sobre todos nós.

Não há medos no medo.

Mesmo sem a face clara

apresenta várias vestes

diante da nudez humana.

O medo é o irmão do homem.

Nascidos no mesmo berço.

Quando um extirpar o outro,

a humanidade perecerá.


9.6.18

 
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Adicionado em - POEMAS

 

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