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PEQUENO AUTORRETRATO

12 jun

Passos surreais e docemente barrocos.

(Às vezes penso que bicho é esse.

Oferto-me ao zoo, junto aos pandas.

Afinal tenho polegar e cara de afeto)

Gosto de jazz e da língua portuguesa.

E vivo em guerra contra dias obscuros.

A arte de reabrir as covas da alma

está no alinhavar do que se esconde;

só os autófagos quebram silêncios

e definir-se não é senão devorar-se.

Na borda do precipício de tantos totens,

emudeço as reservas confessionais.

Mas alguns versos saltimbancos

desvelam meus piões quebrados.

E me expõe nu como um medo de morte.

A poesia é pródiga em mostrar as cartas.

De mais, busco manhãs claras para colher

um pouco de lucidez para meu caldeirão

onde estão, sempre ferventes, o assombro

e a perene desconfiança no ser humano.


Assim, sou. Ou estou? Sabe-se lá!


1.6.18



 
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