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VIDA, ESSA PLURAL

12 jun

Nada cessa o filme vida.

Nem a bomba atômica

nem praga do Deus enérgico,

com a  ira que soçobra.

A vida não é só a vida

vivida, os fatos, o dia

nem  a noite,nem o gozo

descansado em arfardas.

(Inda há pouco dei vida

a Capitu renegerando

seu rosto das entranhas

de suas sílabas

solfejadas em compassos

ternários e altissonantes).

A vida preexiste

no desejo de se criar

novas vidas, granjeado

em encontros do destino.

É quando o amor se põe a sonhar.

Por vezes, por acidente

biológico, nas vontades

mais proscritas. Outras,

sem cultivo, emerge

na orquídea da surpresa.

E no quando desgarrado

da inocência,damos corda

à vida que nos despeja

do presente ao convívio

nefasto com os túneis

e becos do passado.

A vida da cachoeira

morta pelo homem vive

naquilo que a represou:

a eterna fotografia.

E os bandos de pássaros

passam tantos para que

se note que são tantos.

A vida segue  clara

depois da morte, por perto

da ausência, cultuada

no ar ou em lajes frias

como o lamento triste

do jovem imorredouro

Antonio de Castro Alves.

(Quero a imolação

pelo fogo, cinzas rápidas,

que ainda quentes sejam

doadas ao vento meu,

amigo de vida fremente

em muitos de meus versos).

A vida é o todo de tudo.

O mundo no plural.

A vida é assim, muito

além do se respira.

A vida sempre circunda

o tempo, beija,  ri dele

e o subverte. A vida,

enfim, não tem fim.


25.5.18
 
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Adicionado em - POEMAS

 

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