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À SOMBRA DAS URNAS

15 out

A arandela quebrada

insinua que a tristeza

instala seu mal cinza.

Pela mão que aciona

a tela que traz o vário,

que faz como um raio

espalhar fel como bala

por todo o momento

que átimo antes flor

silvestre em foto era.

Inundados para sempre

sem trégua ou lanche

que as tardes de ontens

supriam em vontades

mais domadas, filhas

do pensamento, Musas,

diferente das de agora,

espumantes chafarizes

de ausência da Ética

e de tudo o mais claro

que se possa respirar.

Mentes sem armistício,

longe da flecha da paz,

olhos do touro no olho

do matador, às urnas vão

destilar algo não cívico,

ao largo da humanidade.

Entremeios, a cidadania

rareada cada postagem,

cada notícia, cada fala,

sofre um abandono pátrio,

ao se descobrir toda nua,

emudecida pelos tempos

que formatam nosso hoje.

11.10.18

 
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