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O MURO DE PEDRAS

26 nov

fixo no muro de pedras

outro olhar

o da fantasia

vejo rostos disformes/

mitológicos

que deveriam assustar

posto estarem na posição e essência

de espelho de labirintos

pronto a vasculhar o que penso (e vejo)

enquanto doido

na banda

em que transito a maior parte do tempo

a razão – censora da mente

previne serem as pedras colocadas por gente

supõe um pedreiro que não tinha tempo

para carregar um escultor em si:

sobrepôs pedras como seu ofício

sem a doença de pensar em legado

(jamais sonharia em desvendar almas)

mas o muro ali está

pequenas manchas

(heras?)

me repartem

entre nossas existências

a janela que sequer se surpreende

como cúmplice de um vagar de espírito

os rostos ali pontificam espectros:

máscaras que um dia terão vida

aprumam versos de como resistir

contra a irrealidade de pântanos

que tende a deixar marcas

21.11.18


 
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