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DOMINGO ANTES

12 jan

Bater de asas. Acordo do sonho

que fui buscar na infância:

um domingo de silêncios.

Na casa, na rua, na oficina

mecânica defronte.

(missa, matinê, guaraná)

Deitado no frio ladrilho

vermelho do alpendre,

avencas e histórias de guerras

saídas das Seleções.

A claridade do Sol.

Um pardal que se assusta

com o calor ou com a quietude.

O mundo inteiro dorme

e eu desafio a Gestapo.

Desperto para sons aflitos – percebo

desapontado que não é um pássaro.

(sequer um pássaro preso

tão familiar para mim que eu poderia libertar)

Apenas o vento na parede

que faz tremular a folhinha cheia de hojes:

é a minha história que se debate.


12.1.19
 

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