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PESSOA

22 fev

Da janela do meu quarto

nenhuma flor.

Nem Fausto nem tabacaria.

Apenas o quintal que clama

por ser um verso (que seja)

de um velho poema sem registro,

igualmente semeado no cimento.

No que meus olhos acedem.

Mais uma vez percebo – frágil -

que vivo nos fundos de mim mesmo.

E esqueço de dizer que neste quintal

também não há árvores.

E eis tudo de mim a criar as sombras.

20.3.19

 

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