RSS
 

BRASIL

02 mar

Despejo meu lirismo na latrina do Rei.

Sufoco o dia como os Pios de Roma,

posto trazer em si um novo Sol,

que prenuncia algo de novo,

de reiterados embriões.

Estou noctívago e barroco.

Penso que o momento cansa a vida,

sua vítima dileta.

Mas descubro que o país

já me aterrou muito mais.

Essa falta de traquejo em dor

cívica me embaraça:

acabo misturando horrores.

O que o tempo traz.

O que o tempo abandona.

O que o país estarrece.

O que nos vicia.

Se o tempo nos cadaveriza,

o Brasil me apunhala aos poucos.

Lâmina afiada nas mídias retalham

corpos e credulidades. Confianças

extenuadas de tanto atoleiros

no barro desta estrada

que nos conduz

do parto até a morte. Não tenho

clarificado em mim se a cada dia

sou um brasileiro velho que toma a chuva

do tempo ou do país. Sei que ambos

não mais riem de minha idade.

Nem o tempo nem a Nação.

Mas da esperança, sei não.

 

Deixe um comentário