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NÓS E EU

13 mar

se me quiseres junto aviso

que não venho só – não sou só

tenho nos bolsos meus sonhos

envoltos em mim assim como

a casca da cortiça ou malha

colante ao corpo ensopado

de tentativas vãs – todas elas

símbolos das horas roubadas

durante os tempos em que deixo

de viver e invento vários jogos

sobre mim mesmo – todos ou

quase a maioria de retificação

se me quiseres por perto previno

que a metade do que vivo passo

sonhando com a outra metade

que aparenta o que deveria ser

entre as duas uma linha cega

divide o que chamo de jornada

não se confrontam nem querem

apenas delimitam o que sinto

e o que sinto é que uma se cala

e promove o que é da vida em si

enquanto a outra de sina etérea

canta e se resguarda em versos

a do chão é uma espécie de nós

e não se reluta em sorrir ao sol

mas a das sombras das palavras

só se mostra como um eu de asas

12.3.19 – 1h50 da manhã

 

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