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DO TERMINAL DE ÔNIBUS

07 mai

…desolo-me ante a sujeira

que assisto como um palco.

Tudo é decrepitude e ruir

neste flanar. Homens destroem

o que respiram . Enfeiam

o que seria suas molduras.

Distorcem o que sempre

só serviu a todos

como um tapete de bem-quereres.

Torturam as tradições do asseio,

mortas em fotos antigas

da cidade. Jogam o lixo ao seu redor

como se o engolissem. E andam

em contrações corporais

fugindo de chuvas de raios.

Miram a fealdade do que fazem

como meças  ao espelho.

Mas o que veem não os abatem,

antes os conformam. É quando

tudo se mostra tardio:

suas escolhas já os devoraram.

7.5.19

 

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