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TEMPO DE DESVÃO

04 jun

Mornado o renque de estames

que conduziu como vagões

minha vida desde o instante

que sem pré-consulta vim

aviltar as horas de fados

recíprocos e dissonantes,

tenho a sensação de concrescer

em linha rumo ao termo;

ao que denoda a passividade

que esperei como refúgio

nesta fase outonal cujos medos

pulverizam-se em ex-lutas

ao se ter a mescla do não retorno,

da fila que impele,

da entrega maciça de perimir,

da constatação do ciclo.

É quando a caverna da alma

abre o recôndito  à mente

e se busca o peremptório

lugar no mundo outro tanto

prometido, que por tempos

escarnecidos, surge, chave

de um corte inesperado,

que se espera, remando em águas

furtivas, em posses e desejos

que a cada passo nestes dias,

manifestam-se inócuos e frios,

agora com o discernimento

a tolher um passado sonhado,

aunado em tentativas

da inexistência do amanhã.

É quando temos o tempo

fora das nossas amarras,

flutuando em torno, como

sombras, desvaneando

amanheceres longe

do que denominamos chão.


7.12.05

 

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