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FUGA

07 jun

E se o verso fugir de casa?

Como um encontro ao portão

aberto depois da prisão

dentro da estrofe sem graça,

cheias de métricas e rimas.

Sair ao respiro da oralidade

da boca da moça que quer dize-lo

na rádio no horário da noite,

antes das canções

de sucesso para sempre.

Correr pelos becos da madrugada

e encontrar seus pares de pés

e ombros forjados nas ilusões

de garrafas e dos meios-fios

buscados nas verdades

que jamais florescem.

Sorrir com o sorriso

que a aurora deve trazer

senão no ventre,

posto ser o próprio ventre,

mas num colo com cheiro de café

e gosto de pão com manteiga

repleto de luminosidade

a devorar a escuridão

que já terá ficado presa na história

que se contará de mais

de um dos milhares de ontens.

Brindar com o sol da manhã

e rir dos poetas concretos

que o disseram inexistente

de forma séria, sisuda,

cheios de dogmas de fé

e ele nunca que deixou

de pular carniça.

Assustar os homens

presos a carros e sobras de lixo,

que correm com as suas vida

em seus encalços e ansiedades,

buscando tudo menos a poesia

que ele carrega com a alegria

de quem ampara um cãozinho

de olhar de amor,

desses que não estão nestas ruas

nem nas mochilas carregadas

de tudo que é cinza.

Sabedor de sua efêmera duração,

mas de seu enorme servir,

não tentará mudar o mundo.

Apenas tentará fazer respirar

quem estiver de cabeça e olhos

ao chão como a humanidade

acostumou-se no esperado

e cantado terceiro milênio.

Depois dará uma passada em Ítaca,

antes de me chegar novamente.

5.6.19

 

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