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14 set

Dois amigos amam a lua.

Outros dois são tão solares.

Mais de um se avermelham

com a face toda no azul.

E enquanto eles diferem

eu me tranco num baú

sentindo que meus anos de vida

pesam e se espalham em mim

mais que as folhas deste outono.

Atravesso cordilheiras

com a mochila abarrotada

de consertos impossíveis.

Na memória como um campo

após a queimada, chamas

teimam em não me permitir

escuridões ou esquecimentos.

Dói-me a constatar

de que meu tempo é sempre.

14.9.18

 
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A TOPADA

03 set

na esquina do semáforo

daltônico e estrábico

topo com Che Guevara:

boina estrelada

olhar reservado ao futuro

cara de El penado 14

tensas rugas no pano negro


vinha pelo peito de um moçoilo

imagino (com maldade)

que o confundira com roqueiro

da velha guarda


Che não sorriu

nem olhou para mim

não leu em meu rosto

a poesia de mitificação

cruzou-me com a indiferença

ao som surdo da concertina

a ecoar estranhamente

por Sierra Maestra


desatinado mantive meu dogma maior:

Pelé es mejor que Maradona


30.7.16

 
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DOIS TEMPOS

02 set

Sofro por uma crase.

A vírgula que tropeça,

o hífen extinto, os esses

repetidos exaustivamente.

Sofro muito pelo medo

de olhos que hão de vir

completar o que escrevi

com o fármaco de sempre.

Só me livro da gastura

ao ver aquela fotografia

da língua de fora do Einstein,

refrigério, amante confesso.

Aí, reparto a vida ao largo

de lembranças mais felizes:

uma história do Chico Bento,

um lançamento do Gérson.

Até o escudo derreter-se

na eterna trilha de escuros,

conviva sem hora marcada,

com a face de permanente.

31.8.18

 
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Palestra Cecília Figueiredo

24 ago
22.8.18

22.8.18

 
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TRISTE

24 ago

É tarde de tanto fardo.

Insisto em correções

em caminhos de vida inteira

entre temores por surpresas.

Encontro cansaço em todo sorriso.

A Era de Aquarius deu chabu.

23.8.18


 
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PARAFRASEANDO VANDRÉ

18 ago

sonhei a vida inteira

buscando encontrar

a paz não passageira

onde eu pudesse me calar

mas não encontrei maneira

do meu destino mudar

17.8.18

 
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A ETERNA PAISAGEM III

07 ago

Olhos eternos sobre cacos

alocados no passado doem.

Uma flor tímida, um vaso

Ching, mas linha com cerol.

Rebocar o ontem frio

com cordas e roldanas frágeis

é a extrema-unção da noite,

o rechaçar do descanso.

Melhor ligar o velho rádio

e ouvir vários candidatos

proporem o melhor dos mundos.

Mentiras podem fazer sorrir.

E resgatar o sono perdido.

6.8.18

 
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INFÂNCIA

26 jul

Filho único,

convivia com um casal

de irmãos:

ela, a Coleção Saraiva.

Ele, um disco de tangos

de Albertinho Fortuna.

E não brigamos

sequer uma vez.

25.7.18


 
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AS CAVERNAS

28 jun

Nas redes sociais, o ódio

sente-se à vontade

como fossem sua varanda,

seu pier, seu travesseiro,

socos na porta reprimidos,

orgasmo, alimento, artérias

com sorrisos que engraçam

e colorem tais gifs raivosos.

Tudo envolto com a razão

oca, nascida no abstrato

que busca como radares

restos de sensatez e pudores

que ainda existem nas gentes

que começam a sonhar

de vez em se aninharem

cada qual em sua caverna.

Nas redes sociais, o ódio

é o Uriah Heep de Dickens.

Atira dardos na alegria

e defeca sobre o amor.

25.6.18

 
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VIDA, ESSA PLURAL

12 jun

Nada cessa o filme vida.

Nem a bomba atômica

nem praga do Deus enérgico,

com a  ira que soçobra.

A vida não é só a vida

vivida, os fatos, o dia

nem  a noite,nem o gozo

descansado em arfardas.

(Inda há pouco dei vida

a Capitu renegerando

seu rosto das entranhas

de suas sílabas

solfejadas em compassos

ternários e altissonantes).

A vida preexiste

no desejo de se criar

novas vidas, granjeado

em encontros do destino.

É quando o amor se põe a sonhar.

Por vezes, por acidente

biológico, nas vontades

mais proscritas. Outras,

sem cultivo, emerge

na orquídea da surpresa.

E no quando desgarrado

da inocência,damos corda

à vida que nos despeja

do presente ao convívio

nefasto com os túneis

e becos do passado.

A vida da cachoeira

morta pelo homem vive

naquilo que a represou:

a eterna fotografia.

E os bandos de pássaros

passam tantos para que

se note que são tantos.

A vida segue  clara

depois da morte, por perto

da ausência, cultuada

no ar ou em lajes frias

como o lamento triste

do jovem imorredouro

Antonio de Castro Alves.

(Quero a imolação

pelo fogo, cinzas rápidas,

que ainda quentes sejam

doadas ao vento meu,

amigo de vida fremente

em muitos de meus versos).

A vida é o todo de tudo.

O mundo no plural.

A vida é assim, muito

além do se respira.

A vida sempre circunda

o tempo, beija,  ri dele

e o subverte. A vida,

enfim, não tem fim.


25.5.18
 
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