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PRAÇA DAS BANDEIRAS

26 jun

Dois amigos de rua socializam

suas pedras ao largo das vidas

que se alteiam de um sonho

de margem, do drop out incerto.

Vejo sobras das minhas escolhas

nas pulseiras de couro estendidas

na calçada onde, tudo que é sujo,

limpa-se pela ideia de ser livre.

Olhos azuis da criança presente

me denunciam como invasor

do momento que tudo me divide.

No ponto, pessoas e mochilas

esperam, de rostos em fadiga,

ônibus e amanhãs repetitivos.

25.6.19

 

DIA DE VIDA

20 jun

p/ Konstantinos Kaváfis, em memória.


Atende tua porta ao chegarem

os desejos; inclina para o lado

do corpo que foi atingido.

Não esqueças de acolher bem

ao que pode ser tua Renascença.

Espalha ramos no teu tapete

onde teus sentidos pisam.

Sê o humano da superfície

da pele que te retrata. Não

represes tuas fantasias

por nenhum pensamento

que te doa; solta comportas

em todos seus poros, risos,

e em lembranças marcadas,

como a dança dos colmos

dos trigais que um dia viste.

Não te resguardes da canção

primeira que veio a ti pela manhã

e que te envolveu como hera

e te acompanhou  até o ocaso,

que julgavas exausto, mas que

ao se declinar, retratou no céu

um sorriso lascivo e trouxe ao olhar

da imaginação uma rosa tímida.

E quando o sono que te aguarda,

ruborescer ante teu dia completo,

entrega-te como criança: abre

seus braços e corre ao colo da

primavera. Nesta hora, teu corpo

precisará de descanso, diferente

da tua alma que, assim  que iniciares

o teu fingimento de morte, te velará.

18.6.19

 

GARUPA

17 jun

Vou, no colo da poesia, voo.


17.6.19

 

EUCLIDIANO

16 jun

forte tino

sol

enxada à pino

solo

crendospadre, desatino


a sorte

o corte cerce

de ser dor, destino

30.10.91

 

FILMES TCHECOS

16 jun

I

A vingança da viúva negra

Foi logo após o amor

Não foi o machado

Não foi o fuzil

Foi logo após o amor

Tudo de passou em branco e preto

Com agradável cheiro de eucalipto

II

O adolescente criou

Sentiu nos olhos a incapacidade de grande guerra

Logo amou

Fardado de leviandade

Coçou o ouvido esquerdo

E morreu

A fumaça da locomotiva

Contou esta fábula

Em dezesseis milímetros

III

Afirmou a covardia

Temendo não mais lavar seus pés

Na água quente (morna)

Ficou a vender

Botões e fitas de rendas

Sangradas e inexistentes

Deixou-se lamber pelo cão pedrês

Sonhou um homem iluminado

No mundo fascita

Sonho cadáver no seio da manhã

Das marchas e diáspora

Era (foi) um ladrão de verdades

14.12.74

 

A RECORRENTE

15 jun

A minha solidão nasceu

de uma esquina não dobrada,

num tempo descompassado.

que não guarda certezas

lembranças  ou imagens.

Pode ser até um todo do tempo

que tive, um sem cessar carrossel

sem música.

Fiquei só por estar ao longe

do que não me faria sentir estranho.

(na verdade

nem sei se minha solidão nasceu

pode ser uma natimorta

e a esquina nunca existiu

e eu apenas um alguém

com a cabeça sob um eterno sereno)

12.7.18

 

MULETAS ELETRÔNICAS

15 jun

Um relativístico a quicar

defronte olhos cansados

de ritos, quase mitos,

impregnam-nos de muletas

eletrônicas.

Imagens já obsoletas

as que nasceram

no último por do sol,

trôpegos em Android,

fraturas em IOS.

Não há mais tempo

de expiração. Vivemos

um preceder dentro

de um brejo.

16.6.16

 

POTE DE OURO

15 jun

O poeta sabe onde pisa

se pisa no seu vácuo.

Um estado assim

de considerar como seu

pote de ouro,

sua cabeceira da cama.

Sabe andar nas estrelas

e não cultiva flores no chão.

O poeta finca

mistérios não seus,

mas nunca nina

suas palavras consumadas.

O poeta é todo busca

mas não sem fim

posto a poesia ser finda

em si mesma, companheira

eterna de instantes.

Com um palito de fósforo:

único, solitário e essencial.

19.11.11

 

LEMBRANÇAS

14 jun

O primeiro encontro com emoção que tive com o futebol, foi no último jogo da Seleção Brasileira em 1958, contra a Suécia, anfitriã do torneio. Confesso que não estava entendendo muito aquele deserto das ruas, rádios ligados em alto volume, olhos lacrimejantes e outras coisas mais. Só cheguei ao prumo da seriedade daquele jogo, quando entrei na cozinha de minha casa e vi minha mãe ajoelhada no chão, pedindo a Santo Antonio de Pádua “Ajuda o Brasil, meu Santo Antonio!” (esse clamor viria a calhar nos dias de hoje). A cena que vi, trouxe-me à realidade. A coisa toda era séria mesma. Futebol mexia com todos, e comigo deveria ser assim também, mesmo com 7 anos de idade acabados de completar. Bem, acho que a fé de minha mãe em Santo Antonio valeu. E Garrincha e Pelé deram uma pequena ajuda. Brasil Campeão do Mundo! Ah! um detalhe: era dia de São Pedro.

13.6.19

 
Sem comentários

Adicionado em PROSA

 

GÊMEOS

14 jun

Entre eu e Fernando Pessoa

há, além do junho,

um Mário, como maior amigo.

De resto, doei-lhe

meus olhos a vida inteira.

25.1.13

 
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