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22 fev

O chapéu no prego

dependurado

tem um rosto:

o ente da fotografia antiga;

despropositado, existe.

(aquele sol é que não mais)

19.2.19


 

22 fev

Minha cadeira perde-se no quarto.

Deve ficar contra o sol,

para que a claridade se esteire

sobre os versos no papel.

Os versos estão onde estão

e têm de aí permanecer.

Mas a minha cadeira

por ser minha, hesita.

Cada vez ocupa um reino.

Mas garante aos versos

tomar todo o Sol  em si.

Objetos se mostram ariscos

em minhas mãos

neste momento de fronteiras.

Sejam as geográficas

ou de outras mais intensas.

18.2.19


 

LISBOA

22 fev

MARTINHO DA ARCADA

Profanei-te, poeta

Ao entrar-te alma adentro

Em busca de teu canto

Solto nos ares deste prédio

Como um pássaro negro.

6.2.19


PRAÇA DO COMÉRCIO

Lisboa, recusa que te olhem

com óculos escuros. Esses

só constrangem a luminosidade

que repartes em nossa alma.

5.2.19


Lisboa é uma cidade congênita.

Mesmo chegando pela primeira vez,

é uma revisita à toda gente.

4.2.19

 

Martinho da Arcada – Lisboa

22 fev
6.2.19

6.2.19

 
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Adicionado em FOTOS

 

DORIVAL

16 jan

Não há música mais bela

do que a que mora no remelexo

dos olhos de Caymmi.

15.1.19

 

DOMINGO ANTES

12 jan

bater de asas acordo do sonho

que fui buscar na infância: um domingo de silêncios

na casa na rua na oficina mecânica defronte

missa matinê guaraná

deitado no frio ladrilho vermelho do alpendre

avencas e histórias de guerras saídas das Seleções

a claridade do Sol

um pardal

que se assusta com o calor ou com a quietude

o mundo inteiro dorme

eu desafio a Gestapo

desperto para sons aflitos – percebo

desapontado que não é um pássaro

(sequer um pássaro preso

tão familiar para mim que eu poderia libertar)

apenas o vento na parede

que faz tremular a folhinha cheia de hojes:

é a minha história que se debate


12.1.19
 

PRETÉRITO IMPERFEITO

05 jan

era feliz:


(só o tempo que passou

permite esquecimento

e outras farsas tais)

30.12.18

 

O SER SÓ

03 jan

poemas incomodam

o solilóquio do poema

no livro de poemas

de números cardeais

é quando

encoberto por outros

tira a força de um

filho único

o poema quer respirar

fugir

das palavras impressas

ser senão

asas que gritam

29.12.18

 

DESENCANTO

03 jan

ela

ômega

eu

âmago

28.12.18

 

ANO NOVO

03 jan

Para o ano novo quero ver

se sossego;

quero apenas versos mancos.

(que sempre nego)

Quero tudo que é o nada

que não me apego.

Quero o pessoal fazendo boas letras

e desinflando o ego

e  já aviso, se vier com lero-lero,

descarrego.

Quero o que me faz feliz,

não o que arrenego

e o desejo de felicidade para todos

em mais um ano que chega

em voo cego.

(Acho que é muito querer,

muito martelo pra pouco prego)

26.12.18


 
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