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03 nov

1.

um pacto fervilha entre nós e feridas

como um rito de castidade

como um pecado alado

um poço sem eco

um mínimo

de sangue de loucos e babosos ancestrais

de uma caverna no Himalaia

de uma oca da serra do Roncador

da sacristia ausente da sensatez

a poesia sem disfarces

vive

bêbada de tantas caras a ela imposta

seu mundo é a complacência

mesmo com o claro riso claustrofóbico

2.

ao longe é a expressão de minha vida

ao longe do tempo

ao longe do lugar

ao longe das gentes

ao longe da fogueira

ao longe da era

ao longe do casulo

ao longe das atas

ao longe das asas

só me contrariei quando dentro

do desejo

não tão longe assim

3.

sou o filho de algo

não fidalgo

que perambula entre cacos

e perguntas

sou filho do não entendimento

entre o verão e a primavera

sou a cria entre patologias

não desconfiadas

não afloradas

que morrerão depois de mim

(palavras pelas frestas

da inexistência)

:sou o não sou

4.

por falta de desespero

nunca gritei

  • cancela a cancela!

por acomodamento e sono

nunca bradei

  • cancela a cancela!

por ser quem sou e fui

sequer sussurrei

  • cancela a cancela

todo o caminho para mim era toca

sapatos e calos

5.

pedaços esgarçados são arrancados

de nossa história

a cada morte de quem amamos

25.10.18

 

Palestra na Sociedade Teosófica

03 nov
27.10.18

27.10.18

 
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Sábado Só Letras – Fernanda Junqueira

03 nov
20.10.18

20.10.18

 
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03 nov
18.10.18

18.10.18

 
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OUTONAL 2

19 out

tempo de morrer

(amigos e inimigos)

conhecidos

aquele radialista

o compadre poeta

o fotógrafo

o da esquina (tanto tempo faz)

o mundo cheio

de gente nova

fica vazio

fica menor

fica o mundo

a sós

16.10.18

 

À SOMBRA DAS URNAS

15 out

A arandela quebrada

insinua que a tristeza

instala seu mal cinza.

Pela mão que aciona

a tela que traz o vário,

que faz como um raio

espalhar fel como bala

por todo o momento

que átimo antes flor

silvestre em foto era.

Inundados para sempre

sem trégua ou lanche

que as tardes de ontens

supriam em vontades

mais domadas, filhas

do pensamento, Musas,

diferente das de agora,

espumantes chafarizes

de ausência da Ética

e de tudo o mais claro

que se possa respirar.

Mentes sem armistício,

longe da flecha da paz,

olhos do touro no olho

do matador, às urnas vão

destilar algo não cívico,

ao largo da humanidade.

Entremeios, a cidadania

rareada cada postagem,

cada notícia, cada fala,

sofre um abandono pátrio,

ao se descobrir toda nua,

emudecida pelos tempos

que formatam nosso hoje.

11.10.18

 

DIRETO DE UM DIA COMUM

06 out

No caminho há pausas

para o cavalo alado

que pasta na mente

e nos sonhos. Mesmo

que sejam despojos,

insistem  em perolarem

dentro da perplexidade

do frágil permanecer.

Do roto espanto – a vida

a estocar frutos e sinais

de que à tudo resiste

se há algo que se ame.

Como a cola nas patas

do inseto sobre o chão

que exempla a luta vã

mas necessária ao dia

em que foi de Sol, cães,

pessoas sem olhos,

fúrias  e ancoragens

até o íntimo ocaso,

de bares e colcheias,

(a utopia do entardecer)

a partejar a incerteza

de que ainda estamos

no baile que um sultão,

doido de tantos desejos,

promove à sua roda

e nos intima a dançar.

28.9.18


 

Com Max Wagner

17 set
13.9.18

13.9.18

 
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14 set

dois amigos amam a lua

outros dois são tão solares


mais  de um se avermelham

com a face toda no azul


enquanto eles diferem

eu me tranco num baú


meus anos de vida

pesam e se espalham em mim

mais que as folhas deste outono


atravesso cordilheiras

com a mochila abarrotada

de consertos impossíveis


na memória como um campo

após a queimada chamas

teimam em não me permitir

escuridões ou esquecimentos


dói-me constatar que meu tempo

é sempre

14.9.18

 

A TOPADA

03 set

na esquina do semáforo

daltônico e estrábico

topo com Che Guevara:

boina estrelada

olhar reservado ao futuro

cara de El penado 14

tensas rugas no pano negro


vinha pelo peito de um moçoilo

imagino (com maldade)

que o confundira com roqueiro

da velha guarda


Che não sorriu

nem olhou para mim

não leu em meu rosto

a poesia de mitificação

cruzou-me com a indiferença

ao som surdo da concertina

a ecoar estranhamente

por Sierra Maestra


desatinado mantive meu dogma maior:

Pelé es mejor que Maradona


30.7.16

 
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