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CAMINHO

01 jul

Poesia e política são demais para um só homem.

TERRA EM TRANSE

Glauber Rocha

Para onde derivar

meu caminho?

Onde instalar

meus desatinos?


Seguir a trilha do verso

e plantar no absurdo

todas minhas consciências inexatas.

Pleitear um canto

dentro do canto,

pelejar entre mistérios do amor.


Saciar longe das modorrentas

passagens pelo dia.

Alçar a balança das vindas,

Rebater causas não minhas?


Fixar o que soçobra na mente

em espaços que se chora

sem o querer inexecutável.

Caminhar dentro do que chamo dentro.


Mesclar a indecisa poesia

com o fim de todas as virtudes.

Lançar contas nos fins das contas.

O poeta é o dono do pensamento,

do repartir da luz,

da palavra não palavra.

Fina e repressora do que se entende

à primeira vista, ao primeiro demão.


A poesia, estado de viver

em saber-se exteriorizar

o afã de apregoar o infinito.


De resto, apenas a vida que se borra.


29/05/2010


 

TERRA

01 jul

Terra não é só chão

onde se esteiram nossas sombras;

não só punhado de terra

areado sobre nossas mortes.


Terra não é só o sonho

alimentado sempre por uma posse

distante de qualquer que se imagine,

no fim do que não se enxerga.


Terra não é  pátria nem o amor a ela.

Nem o berço celebrado

nem a história que se guarda.


Terra planeta girando em perigo

é filha do nominalismo.


Estas Terras não são a Terra.


Terra é a impossibilidade do que se pensa sobre a Terra.

O que nunca será.

O desejo da surpresa de onde atracar.

O não saber, onde buscar.


Terra é um infindável desterro

dentro de nós.


28/05/2010

 

TOLA MANHÃ

01 jul

A chuva cai
e se desmancha
nela mesma.


(02/02/2010)

 
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ANAGRAMA

01 jul

Ouço, em menino,
que HOTEL FLÓRIDA tem um mistério:
as letras desembaralhadas
e novamente enfileiradas de outro modo
repentina ADOLF HITLER.
Mas o amigo, cara de assanhaço,
diz com riso de taça Jules Rimet
que sobra um O.
- Que faço com o Ó?, pergunta com o bico.
Não sei responder.
(E era tão fácil estinlingá-lo:
bastava retratar o que senti
diante da alquimia que as palavras têm
e colocar um ponto de exclamação:
Ó!)


(26/01/2010)

 
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IMORTAL

01 jul

A pessoa muito amada não morre.
Funde-se à memória do tempo como árvore.
Não há cinzas. Apenas ontens renascidos.
A pessoa amada, se morre,
vira feriado
dentro de nós, o Dia da Ausência.


16/01/2010

 
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MADRUGADA EM RIBEIRÃO

01 jul

Estas ruas vazias de vozes

são minhas veias puras,
sem o descarte do inesperado.
Esta calçada que pouco vejo
são os verdadeiros passos,
agora que andar
não mais é a necessidade
de chegares de saliência.
Este encontro de lacunas
traz-me a possibilidade
do raiar menor,
compassivo estar em alguma parte
onde o sonhar perambula
entre casarões desfraldados.
A noite escura de minha cidade
é a claridade de minha alma.

20.09.2005

 

À MARGEM

01 jul

Padeço muito
neste indiferença:
decresço.

Escandeço à cara
de cada não:
embruteço.

Acresço o limite
da solidão:
adoeço.

Feneço ao ver
o minguar dos dias:
envelheço;

preço alto
pela poesia:
endoideço.

 

15

01 jul

(P/ Castro Alves)

Que a tarde embale

o manto que traz encanto

à sombra do vale.

 
 

14

01 jul

A janela aberta.

Lá fora o sol se arvora

em alma desperta.

 
 

11

01 jul

O amor inunda

a vida (antes perdida)

na noite profunda.

 
 
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