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SONHO UNIVERSAL

06 jul

Ontem à tarde o sol suspirou de amor.

Solfejou um minueto,
eclipsou sua clave.
Parecia loucura, mas
era mesmo o gênio
que doura o trigo,
morena o rincão:
o natural prêmio.

Não há nada demais no suspiro.

Se tudo que vive
ama, tem de amar
quem à vida cria,
fertiliza e cura.
o que faz até desbrotar,
se não lhe há benção,
respeito e ternura.

E a lava sensual na terra respingou.

E dois raios fugiram,
pois era festa;
febris nos mananciais
amainaram todas
as dores da terra,
derreteram a treva,
escancararam os portais.

Ontem à tarde o sol suspirou de amor.

E à noite,
pavoneou-se todo
e pôs o mundo cabalmente a sonhar…


07/02/2002

 

06 jul
2010 - Com a Rô, Núbia e Vera na Biblioteca Padre Euclides.

2010 - Com a Rô, Núbia e Vera na Biblioteca Padre Euclides.

 
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A COPA

05 jul

a bola não rola

a bola degola

o técnico carambola

no antes e no agora


bola diversa da bola

que o Brasil controla

bola trazida da bola

de fora da cabeça

do brasileiro que chora


bola defensiva

de muro não passa

a bola não vigora

no teimoso cartola


no meio, indefinido

a bola bitola

não sai, não rola

pisão no dorso, se atola


a frente se perde

a bola não chega

abre a boca:

a bola implora


bola pequena

a bola não cola

bola fora

fora da copa


06/07/2010

 

MOSCAS E RESMUNGO

04 jul

Quando menino

tinha olhos de radar.

Olhar de redor,

olhos de não dormir.


Quando menino

era a espreita de ossos,

e sem que tivesse,

um telefone a tocar.


Quando menino

a espera sem sal,

música a bailar

sem passos de cem

do tango universal.


Quando menino

moscas e resmungo,

muro de pedra

sem escada. Trêmula

escada e fungo.


Quando menino

o que se era não era

para ter antes.

(quem se lembra

quer sorrir,

quer festejos de nozes

quando o depois tem

algo como rio

que segue adiante)


Quando menino

a lesma após a chuva

era a irmã;

o amor doía

e a chuva eu queria

toda manhã.


Quando menino

muito cheio de vida

humana, portanto

cheio de cheiros

e rimas; portanto

credos e bueiros.


Quando menino

pior que a morte

o olhar penitente,

a face, a cruz.

Esmoía de frente

com visão de goleiro

as frestas de luz.


08/02/2009

 

OS NETOS

04 jul

À noite,
uns disformes com copos de bourbon
roubaram o sorriso de anil.
E apesar de tudo, traziam sorrisos nos lábios.
Vilipendiaram a casa da esquina,
da vovó Anna;
pisaram no tapete da sala
com botas encharcadas
de lama, e apesar de tudo,
traziam sorrisos nos lábios.
Lancearam os caminhos de crochê,
puseram nos bolsos perto dos galhardões
o camafeu com a imagem da Vênus.
O pires de leite do siamês foi lançado além da janela.
Onde foram ceifadas rosas e sonhos jardineiros.
E apesar de tudo, traziam sorrisos nos lábios.
Depois, comeram as broas de fubá
preparadas para os netinhos do amanhã,
e os impediram de estudar.
E eles gostavam de Ética.
E apesar de tudo,
traziam sorrisos nos lábios.
Os disformes, à noite,
portadores de copos de cristal,
fizeram o sinal-da-cruz.
E vovó Anna pensou que tudo era sonho,
desses que passam depressa,
que Deus intercede.
E pela manhã, já estava morta.
Dessas mortes de avó,
com sorriso sereno de cruz no peito.
À tarde, a casa já era deles, que sorriam
e colocavam fitinhas coloridas
nas golas dos casacos de lã,
tecidos pela vovó.
As cortinas foram fechadas
para um novo sol.
E os netos que ralharam pela mudança de destino,
eram frágeis, e os asseclas dos disformes,
também com copos de bourbon,
tiravam-lhe os casacos tecidos pelo amor de seus pais,
cultivados no período de semeio,
quando então eram orgulhosos de sua terra.
Nesta hora,
os homens tinham outro sorriso no olhar.
Um olhar blasfemo,
de choque.


24/12/2002

 

O COLÉGIO DO ESTADO

04 jul

Toma por susto a volta da escola.

Permanentenos olhos de menino.

O susto maldizente, o que esfola,

fronteira do jantar e o ensino.

Um rito de vida entre sofrimentos.

Do solitário sabor de ser pequena ilha

às aglomeradas palavras,ensinamentos.

Um aprendizado soturno, indutivo à trilha.

Toma por susto todas as pessoas no caminho.

Onde janelas abertas e claras raiam um riso.

Parece até paz (será assim?), um ninho

que barganharia pelo futuro inciso.

Quantos olhos não estariam sob cobertores?

Bem quentes,

anafados em beijinhos e mimos de anjo.

O caminho degrada as dores, troca dores.

A dor da inefável impureza da vida de arranjo.

As dores da escola, mais amenas.

Melhor que as de chegar;

a dor na troca de olhares.

E o anseio de outras dores, as dores dos cinemas,

do café na geada, no tiro do peito,

as dores dos altares. A dor nos olhares

eram o horóscopo do sono.

Das vidas que não a sua,

mas na convivência do abandono,

diferente das vidas das janelas acesas na rua.

Mas, nessa noite, o olhar resolve confortar.

O fitar na trégua, de um também riso,

que que desconfiado, que mareja.

E o caminho de volta foi esquecido;

agora pretendero desejo de dormir

um sono de menino,que adeja.

E o sono será de sonhos com  regalinhos.

Com aqueles anjos todos,

que habitam os telhados vizinhos.

24/6/2004

 

AMOR OBSTRUTIVO

04 jul

Naquela casa tinha um ferrolho na porta.
Trancado por chaves imensas.
Jogadas no pântano de um amor obstrutivo.
Mas ao lado, esquecida pelos anos e senhorio,
tinha também uma janela aberta.
E por ela, um dia, entrou um poema.
Esvoaçando pelos quintais
com tal indissolubilidade
que os corredores ofereceram-lhe logo
o próprio âmago da casa.
(naquela casa tinha também uma estante com livros)
E o ferrolho, meândrico,
não teve outro caminho senão acabrunhar-se
à serviço do cinismo.
Naquela casa,
aprendemos a ser eternamente moleques
a equilibrar em peitoris,
transcedendo palavras e sonhos.
Sempre burlando a nossa existência.

27/11/2003


 

03 jul
Feira do Livro 2010 -  Com Toledo e Cecília Figueiredo.

Feira do Livro 2010 - Com Toledo no lançamento do excelente A CASA DA INSTABILIDADE, de Cecília Figueiredo.

 
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03 jul
Lançamento AVE, PALAVRA - 2009 - Com Mriis Ester, Mara Senna e Eliane Ratier.

Lançamento AVE, PALAVRA - 2009 - Com Mariis Ester, Mara Senna e Eliane Ratier.

 
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03 jul
2007 - Saudade do Sr. Apparicio Lara Filho

2007 - Saudade do Sr. Apparicio Lara Filho

 
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