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Posts Tagged ‘Amor’

2

01 jul

O que é afinal, este amor
que a cada dia que passa
ao meu coração proclama?

De onde veio, onde brotou?
Numa noite de chuva
ou foi quando o seu se estrelou?

Veio pela colina do tempo
ou escorreu por esta solidão
de que tanto reclamo?

Apareceu em mim
ou nasceu aqui mesmo
num verso que nunca declamo?

Não é necessário resposta
quanto me sinto feliz
com essa lágrima que derramo;

mesmo não sabendo de onde veio,
o vento afasta qualquer dúvida
quando penso que te amo.

 

4

01 jul

O que é longe para o pensamento?
Que é a ausência para o coração?
De que forma sofrer se temos a lembrança?
Os mosaicos de momentos já nos perpetuaram
juntos, colados como um beijo de amor.
Se vivemos pelo menos um só instante,
já temos uma vida a celebrar.
Se falta um contato de pele,
sobra, dentro de nós, a ternura do sorriso,
este sorriso de uma saudade ao redor,
dançante e efusiva; saudade de fechar os olhos
e poder ver; este sorriso de recordar…

A distância apenas separa o corpo,
nunca a alma.

 
 

20

01 jul

vejo o amor na manhã
à sombra do galho

ela, colada ao corpo
que já lhe deu tanta vida,
busca agasalho

ele, flor na mão,
doando seu ombro
para que ela se recoste,
ostenta o grisalho

ao ver o casal antigo
nasce-me a dúvida:

o que brota em meu rosto
é lágrima ou uma gota de orvalho?

 

18

01 jul

cuidado com o amor descuidado,
mesmo com cheiro de baunilha,

acaba nos deixando sózinhos,
cercado de dor como uma ilha

não pode ser amor
o que nos ata ao chão
feito armadilha

 

5

01 jul

Nesta noite estou contigo.
E conto nossa história
a um estranho amigo.

Conto de nosso jardim
que imagino seja
onde plantaste o amor em mim;

que teu rosto de agora
é uma pálida lembrança
nas sombras desta hora.

Conto com certa impaciência
que o passado me arde
na flor triste de sua ausência.

A palavra sai pura,
meu pensamento voa
atrás daquela ternura.

O que resta de nós dois
numa nuvem cinza
é um eterno depois…

 

ESCURIDÃO

01 jul

“Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo”

Sophie de Mello Breyner Andresen

Amamos a pele buscando o sonho.

Tentamos sublimar o espírito,
entregando-nos por inteiro
na exigência da posse de quem amamos.

Amamos o tempo todo em teia frágil.
Espreitando portas.
Auscultando sinais,
espremendo a emoção.

Amamos o tempo todo em receio.
Amamos a vida toda no escuro.
Amamos o curto tempo de certezas.

Amamos para sermos inteiros e sempre ficamos em pedaços.

Amamos muito, até a exaustão.
Na surpresa do desamor,
recolhemos retalhos e o cozemos com lágrimas.
E aprendemos que amar não é senão duvidar.

E mais um mistério nos move.

Depois, apartados do que não entendemos,
seguimos em frente tentando nos agarrar
naquilo que nem sabemos o nome que tem.

Amar é usar o verbo que apenas se sente,
nunca se fala. Amar é incertar.

 
 

19

01 jul

Não te quero minha.
Não te quero como um presente.
Não te quero como uma flor que se olha,
colhe-se e guarda-se entre páginas de livro.
Nem te quero em minhas mãos,
aprisionada em paixão.
Tampouco quero-te divina, inatingível,
dona de meus versos.

Quero-te apenas como a madrugada quer a aurora.
Para reviver-me com os raios de sol que nascem de ti.

Quero-te assim, uma canção na manhã.
Para que eu possa saber que existo,
enquanto me iluminas.