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CRONIQUETA DE EVASÃO

22 ago

Em meio à milhares de passos nas ruas a sapatear nas mentes políticas que vivem à furtar as esperanças do povo desde há muito e a perdurar ad infinitum, resolvo correr para dentro de mim, numa fuga sem desespero, mas com a nobreza de quem manda o presente às favas e resolvo ouvir música.

Há muito que estava interessado em Caco Velho e sua malemolência (de um gaúcho?) ao interpretar seus sambas. E assim parti, não sem uma ofegante ansiedade, para encontrar mais uma genialidade esquecida e refutada pelo intelecto e  o passar da história.

Achei pouco de sua gravações, mas o suficiente para sonhar.

E nesse remelexo/garimpo reencontro um de seus maiores divulgadores: o também esquecido Germano Mathias.

Passo a manhã ouvindo este mestre do sincopado, voz da malandragem poética, arauto dos bairros boêmios de uma São Paulo quatrocentona, filha de Mário de Andrade.

Sinto que o Brasil é muito grande e já digo a mim mesmo que isso não dá samba, quer dizer não é o caso de poema, pois Germano Mathias (onde andará?) me traz, em meio a um trombone de boca, momentos felizes, que por vezes, esquecemos que podem existir ou já existiram.

Como o Caco Velho.

(23.06.2013)

 
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