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Posts Tagged ‘Reflexão’

31.10.15

13 jan


lembrança de baile – dói?
torna-se o por quê?

dói a lua
que não chegou na sétima casa

vasos plantados em mim
(milhares)
percorrem bueiros –
esta inquietude fora de lugar

e dois versos em busca do poema nesta manhã:
refugiados ante  olhos  da  humanidade
afrontam o uso da palavra humanidade

&

poetas de casulos
cantam passarinhos na janela
manhãs límpidas e fecundas
ou seja:
farsas dos próprios sentidos

(seres humanos na praia
arrastam o decadente lirismo
dos seres humanos da praia)

divido esta babel íntima
com um gole de conhaque

 

31.12.13

10 jan

A língua portuguesa

e suas equações:

Não é que dentro do Ano-Novo

tem um ovo?

 
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26.3.15

06 jan

toca fundo essa aspereza
tornado circundando nossos pés
dia que aparece nunca nascer
e a noite longeva de suíças negras
ditando regras sobre o que nubla
a face do que os olhos absorvem
fere esvazia vapores de alento
banhos de assento nádegas no cimento
melhor muito melhor rimas que soluções
quando tudo toca fundo essa aspereza
quando tudo toca fundo
a palavra muda sua face
nas estiagens de sedes tantas

 

ALIMENTO

09 nov

Um pardal no meu jardim
de cimento, biqueiro
e visão que enternece,
ignora e dele a angústia
eviterna pelo minuto
de um sorriso que nada evoca.

Quer um alimento
e nada transparente
em súplica ou bramir.
Sem sombra de tédio,
na irrequietude de um corpo são
e na dor do meu despertar efêmero,
é tosco no jardim.
Frio de cimento.

Vem e fita grãos
espalhados, ordenados
pela natureza, que na maneira
do mistério de pré-saber, oferta.

Logo, ilusão, desvanece.
E um abismo na tarde recolhe as sobras.

 

POEMETO 57

17 set

Entre mim e o que faço

prefiro que seja eu o escolhido.

O que faço, já fiz.

O que fiz, está feito.


Enquanto eu,

ainda posso sorrir diferente

na próxima esquina.


17.09.2010

 
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POEMETO 59

17 jul

rasa é a vida

na rua
no ralo da calçada
no rasgo da lua
enquanto Deus sem alarde
arde
fundo no fundo
- não pesa
e nem flutua

(17/7/2010)



 
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ARGONAUTA

03 jul

Para que esta vela

não se acabe

tiro-lhe a chama.


Mas de que vale

um coração

que não se inflama?

15.1.2004

 

O RIO

02 jul

Só,

assento do dia na ponte

ao sentir que a vida escorre

por contínuas veias como um fio.


E a tarde se cansa

de mais um sonho de horizonte

que dentro de mim intercorre

procurando que a alma me conte

como estancar este rio.

 

PSICO-NEOLOGIA

02 jul

Olhar para dentro de nós,

sem nos arranhar;

quem lá vive florescer

como um novo verbo:

intrar.

 

DADIVOSA

02 jul

A vida, louvor ou chiste, concedente
de tudo que podemos alcançar.
O destino, em riste,
olha em nós répobos
ou eleitos, com mel e imposições.
Fartamo-nos de feitos.
Marejando numa simples rima
ou respirando o ocaso do viver
infausto nas grandes navegações.
A vida nos carrega da grandeza
de sermos máximos
em nossas limitações.