O FLERTE

Para o ser criança

 

Sol, trânsito e esperanças

Coletivas, e saltimbancos.

No ônibus, Deus se infiltra.

Camuflado com touca azul,

Olhos abertos que indagam

Encontram os meus. Faço-lhe

Caretas. Comungamos um flerte.

Sorri e dentro de mim nuvens

E paz. E isso me basta: é Deus!

Ninguém mais operaria o milagre

De transformação de instantes.

Mas logo se vai. Embora no colo

De um amor, visualizo-o cocheiro

Da quadriga que bendiz o arqueiro.

E suas setas serão palmas a doar.

Tarde apocalíptica e um sorriso

Banguela cicatriza o mundo todo.

É Deus! Só pode ser!

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OS SINAIS

Quando dobrei a esquina

Não percebi os sinais de

Que o meio da rua deveria

Ser o jorro da minha vida.

Quando subi na calçada,

Por mais que tentasse

Um chamamento da Fortuna,

Não vi os milhões de passos.

Sou muito mais considerado

Do que me considero;

Retribuo sorrisos à larga

Mas fico sério nos espelhos.

Só a palavra me redime.

(tanto fora quanto dentro)

Ganho beijos por elas,

Gozo suas nuances.

De resto, aguardo cores

Pela janela sempre aberta

Como ordens universais,

Pulverizadas em sonhos.

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