O BERIMBAU


Duas estantes quais colunas jônicas, fornecem como gêmeas estáticas, uma fresta que desnuda a parede, ocupada por um berimbau que em paisagem invade e desafia minha tristeza.

Soberbo, no seu retiro destila-se em lições de sobrevida: a inação tem sua beleza.

Um berimbau não tocado continua berimbau, sempre.

Como um rio na seca com cara de estrada boiadeira ainda tem rio aos olhos chorosos que quem o vive; ainda é rio nos mapas do Google. O berimbau quer acender este dia acomodado na displicência da fenda.

Acho  melhor ouvir João Gilberto, fuga única da possível aventura    de me autoemoldurar.

12.2.16

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