há  caminhos  para outros séculos
vias outras  de esparsas pinceladas
aflitivas sedas  outros ópios e anéis
cabeças e fantasmas clamadores
enviesados nas  trilhas de loucuras
carnais e epilépticas na Casa Amarela
ou nos bares de beijos suicidas
das ruas de Greenwich Village

há um poema de Kaváfis
uma cena de Marat/Sade
cordas afinadas e Baden
um cartão de $10 de Basquiat

há porta (sem chave)  cada saída
quando a arte esfumaça a vida
quando não se quer pobre a vida

caminhos há
se quer
se procura
seja onde
sejam outros séculos
seja interior
(se não estiver gasto)

a viagem se traduz como infinita
a busca se posta como fome
a fuga nos remete à escolha
mais que viagem busca fuga
mais que escudo
a arte é mais que tudo

(porém há cérebros inanes
sem quaisquer viços
sem percepção da falta desta poeira)

17.9.15

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