(para Fernando Pessoa)
sou alguém desajeitado
o tempo inteiro

quando falo
quando coço
quando amo
quando olho um Dali
quando colho nêsperas
quando mergulho na vida
quando conto piadas limpas

nas mentiras do dia
sou alguém tolamente desajeitado

fumando
as cinzas me desgarram como moscas

só me recomponho nas palavras
que espalho
na argila que modelo
no meu remo de cores

aí, solitário e nu
sou uma poça de água
a refletir uma lua de aquarela
quase humana

18.10.16

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