“Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo”

Sophie de Mello Breyner Andresen

Amamos a pele buscando o sonho.

Tentamos sublimar o espírito,
entregando-nos por inteiro
na exigência da posse de quem amamos.

Amamos o tempo todo em teia frágil.
Espreitando portas.
Auscultando sinais,
espremendo a emoção.

Amamos o tempo todo em receio.
Amamos a vida toda no escuro.
Amamos o curto tempo de certezas.

Amamos para sermos inteiros e sempre ficamos em pedaços.

Amamos muito, até a exaustão.
Na surpresa do desamor,
recolhemos retalhos e o cozemos com lágrimas.
E aprendemos que amar não é senão duvidar.

E mais um mistério nos move.

Depois, apartados do que não entendemos,
seguimos em frente tentando nos agarrar
naquilo que nem sabemos o nome que tem.

Amar é usar o verbo que apenas se sente,
nunca se fala. Amar é incertar.

ESCURIDÃO
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