AMOR DE OUTONO

 

Chegamos à idade do amor

quase póstumo,

o cercado de lembranças.

à carona do outrora.

 

Um amor estatutário,

de compartimentos, pensado,

antipassional, precavido, medroso.

 

O amor que trata dos dentes.

Esconde a calvície, amor de academia.

O amor com medo do ridículo, 

que ameia com a seriedade

quase de quem não ama.

 

Aportamos nele com um pé de cada vez.

Amor com cheiro de sabonete importado.

Sem suor, de restaurantes e parques.

 

Amor em que o amor vem depois

das desculpas prévias. 

O amor do alívio e dos aplausos. 

O amor que antes é saudade 

e aposta, lúdico. 

Mas assim como de outros tempos,

visceral, puro risco, necessário.

 

 

 

 

23.9.08