Mornado o renque de estames

que conduziu como vagões

minha vida, desde o instante

que sem pré consulta vim

aviltar as horas de fados

recíprocos e dissonantes,

a sensação de concrescer

rumo ao termo, ameaça;

ao que denoda a passividade

que esperei como refúgio

nesta fase outonal cujos medos

pulverizam-se em ex-lutas

ao se ter o senso do não retorno,

da fila que impele,

da entrega ao perimido,

de constatação do ciclo.

 

É quando caverna da alma

abre o recôndito à mente

e se busca o definitivo

lugar do mundo, outro tanto

prometido, que por tempos

escarnecidos, surge, chave

de um corte do inesperado

esperável, remando em águas

furtivas, em posses e desejos

que a cada passo nestes dias,

manifestam-se inócuos e frios,

agora com o discernimento

a tolher um passado sonhado,

aunado em tentativas de remir.

 

É quando temos o tempo

fora de nossas amarras,

flutuando em torno, como

sombras, desvaneando

amanheceres, muito longe

do que denominamos chão.

 

25. (tempo de desvão)

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