Mais que criar versos,

procurei, vida afora,

caminhos para eles.

Não como os cegos

em travessias de ruas.

Mas caminhos no parto,

em seus nascedouros.

Caminho das formas,

experimentos e teses.

Meus versos cansaram

de tantas inquietudes,

mais que isso, das fugas

ou tentativas sem par

do lirismo congênito.

Aí abdiquei das buscas

e das aventuras léxicas.

E passei a ser um cantor

que se esvai em palavras

todas as curvas e esquinas

que habitam e ancoram

um espírito que olha míope

para a vida que passa.

Funda ou de superfície.

E que quando as manhãs

resplendem infinitas,

transborda.

23.2.19

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