Extrair a fantasia do solo

pressuposto fértil mas dorido

como a erva feita bálsamo

a desencravar o que dentro

mortifica e embolora se tardia

como um balaio de tempos

acumulados em irresoluções.

Recomeços de novamente

irão prevalecer às palavras.

E serão necessárias outras,

espelhadas sempre em ciclos.

Como um moto-perpétuo

mantendo na mesma bandeja

a dor da vida e a chama poética.

Escrevemos buscando finais

mas que são areia de deserto:

durante a claridade do dia

queimam a pele e os desejos;

nas noites escuras congelam

todos os instintos revoando

grãos sobre o que nos alteia

em dunas aquilo que somos.

5.4.19


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