Hoje, gostaria de registrar o término da leitura do livro UM CLITÓRIS ENCOSTADO NA ETERNIDADE, de Matheus Arcaro. Uma poesia forte, possuidora de recados, por vezes peremptórios, “o amor… não suporta os dois pontos do seu lado direito”, com reflexões bem ao sabor da nudez da alma da metalinguagem, “Pra fazer poesia / é preciso mastigar a palavra”, tudo em escaninhos interiores ou capítulos, a cantar tudo que é preciso, como diria o nosso querido Walter Franco, de partida meteórica enquanto lia este livro, “de dentro pra fora, de fora pra dentro”. Assim o fez o meu caro Arcaro, como gosto de me dirigir a ele. Evoé, poeta.

Abaixo, um poema, no qual me vi refletido:

SUSSURRO

O segredo autorrevelado
deixou-o despido.
Tentou roçar-se no espelho,
tato míope na imagem mirrada:
as mãos não alcançaram
as intimidades do instante.

Por fim, só um imperativo: leiam este livro!

10.11.19

 

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