A minha loucura
não tem o dramatismo patológico
nem provoca sustos e medos.
Nem desanda em gritos
ou salivas voluntárias.

Apenas minha loucura
(que exercito a cada dia)
leva-me aos lugares que quero,
com atos que desejo,
pessoas que sonho próximas.
Traz-me os meus ódios e paixões.

Minha loucura me deixa suportar:
metade do que vivo,
(progrido nesta marca a cada verão)
o tempo que me assa,
pessoas milionárias em auto-afirmações
e o silêncio encarcerado
a que foi o tempo submetido
depois que morreram as revoluções humanas.

Minha loucura só me enfada em tardes
que a dor, próxima da minha loucura,
resolve tangenciar-me com fantasmas
que apagam os archotes
do túnel de minha escuridão
e que só se evadem ao toque de recolher
de uma pequena sineta
acomodada no bolso interno
da bata dourada da minha loucura.
A minha loucura não adentra;
a minha loucura é a porta,
se não entrada, mas de certeiras saídas.
Permeadas com raios de sol que colho,
um a um, quando tenho a aurora,
como hera, serpeando em minhas mãos.

Por isso é bem-vinda,
a todo momento.
Assim que desejar, a minha loucura.

A PORTA DAS SAÍDAS

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