Folhas soltas no chão e alguns livros.
Janelas de Iñárritu alvoraçam as margens
por onde a trilha se esboçou e se fez
por conta das superposições imagéticas.

Fado sem retorno pela seara iconoclasta
que desembaraça teias e franjas humanas
postas à serviço de inteligências forjadas
e patíbulos de cabeças presas a monitores.

No início, logo na primeira esquina, o fel
na figura de anjo decaído; joga o laço estreito,
mas ares eudemonistas, antídotos, me livram
como livram sempre aos homens que leem.

Por isso, bonança prematura, um livro se abre
em crucifixo, escancara vísceras sob palavras
como um fardo dentro do breu marítimo
e grita ao vento leste que siga seu desterro.

No meio do caminho, um poeta, preso em timidez,
subverte seus próprios versos de cocaína pura,
nascido de calvície, paletó e gravata, de beleza
intensa de quem pode desafiar Juno, caso queira.

De quem se torna pai e mãe da poesia que se faz
do lado explorado do mundo, cantos de arrastar
seus pés em folhas secas, enquanto o movimento
perpétuo da terra, recebe a orquídea redentora.

Além dos rios que atravesso, um cantar socialista
de cheiros de bem-aventurança, mudam o trajeto
de uma humanidade de leis e castigos misantropos,
doando além de amor, ar puro às pituitárias afogadas.

Há vielas de espadas, becos de ritos anunciados,
cavalo voadores, heróis cinematográficos, dores
expostas em palcos, onde egos resplandecem
como chafarizes a bicos de pena já  amarelados.

Mas há o refletir constante, a dúvida em Aristóteles,
o porquê de respostas infalíveis, o abraço que tonteia
quando por caminhos do cérebro adentram em prima
vez flores novas que se elucidam ou se tornam mistérios.

Por fim, dia posto, canto de arrebol, pássaro estranho
e mágico se faz ouvir por todas as ágoras doadas
pela natureza a seus filhos, os que partejam em si,
renascem em si, às vezes cegos, mas sempre vivos.

A VIAGEM

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *